11.1.10

Annie Leibovitz





       Keith Richards, John Lennon, The Who, Sting, Iggy Pop, Mick Jagger, Jerry Hall. O que todas essas pessoas têm em comum, além de obviamente pertencerem ao mundo da música, é que todas, por alguns segundos, foram desarmados por Annie Leibovitz. Isso porque Annie é conhecida por realizar retratos muito intimistas das celebridades que fotografa. No documentário sobre a vida da artista intitulado Annie Leibovitz – A vida através da lente, é colocada uma questão: Será que é possível para um bom fotógrafo capturar a essência de uma pessoa em uma fotografia? Bom, de acordo com o filme, a resposta é não. Mas é possível que Annie seja uma das fotógrafas que tenham conseguido chegar muito perto disso. 



Annie nasceu em 1949, e em 1970, foi contratada pela então recém lançada revista Rolling Stone. Ela começou como apenas mais uma fotógrafa em meio a tantos homens que trabalhavam na redação, mas nos dez anos que trabalhou para a revista, tornou-se a principal retratista da Rolling Stone. Algumas de suas fotografias são consideradas as mais importantes do mundo da música. É o caso da fotografia em que John Lennon, nu, enrosca-se em sua controversa esposa Yoko Ono, que olha para a câmera com um olhar bastante frio. Annie conta que quando mostrou a polaroid da foto para John, ele ficou encantado. “Você capturou exatamente a nossa relação!”, ele disse. O ensaio fotográfico foi realizado poucas horas antes da morte do cantor. Quando chegou a hora da escolha da capa da Rolling Stone naquele mês, não houve dúvidas. Seria apenas a foto e o logo da revista. Não havia palavras que pudessem explicar a morte da figura que então era a mais importante para o rock. 



Em 1975, Mick Jagger convidou Annie para ser a fotógrafa oficial da turnê que os Rolling Stones estavam realizando. Apesar de ouvir muitas pessoas a dissuadindo da ideia, ela aceitou o trabalho. O argumento dos amigos da fotógrafa para desencorajá-la eram de que alguns fotógrafos da própria Rolling Stone e outros tantos jornalistas de veículos diversos voltavam das turnês dos Stones completamente viciados em drogas pesadas. Era 1975 e Annie era uma fotógrafa de rock, ou seja, drogas ela certamente já usava, de qualquer forma. Keith Richards confessa, em um trecho do documentário, que duvidou que Annie fosse aguentar a rotina da banda, pois ele nunca tinha visto uma mulher assumindo o posto de fotógrafa profissional antes. Ele e Mick Jagger relatam também que a moça tinha uma habilidade incrível de se camuflar ao ambiente. A sensação não era a de que havia uma fotógrafa em meio a instrumentos, roadies e groupies, e sim, apenas mais uma amiga da banda, que muito por acaso possuía uma câmera. Como resultado, Annie conseguiu muitas fotos de Keith completamente fora de si, desmaiado ou cambaleando. Ao olhar para as fotos, em seu depoimento para o documentário o guitarrista confessa não se recordar de nenhum daqueles momentos. De toda a turnê, a foto preferida de Annie é a que mostra Mick dentro de um elevador.



Em 1980, após uma década fotografando músicos e bandas para a Rolling Stone, Annie foi convidada para trabalhar na Vanity Fair. Na época, a revista não tinha a notoriedade que possui hoje, o que representava um risco enorme para Annie. Como a Rolling Stone a queria com exclusividade, ela pediu demissão amigavelmente e foi para a Vanity Fair. Mais tarde, foi convidada para fotografar para a Vogue, e para a surpresa de muitos, aceitou também. Além de retratar figuras da música, Annie já clicou os mais diversos grupos: políticos, atores, dançarinos e até mesmo fisioculturistas. O que se sabe é que para poder se considerar uma pessoa famosa, essa pessoa tem que ter passado pelas lentes de Annie Leibovitz. 






 Annie Leibovitz: Life Through a Lens, EUA, 2006.



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