7.1.10

John Lennon por Philip Norman





A vida é muito mais interessante quando o seu avô é dono de uma livraria. Pra mim, isso significa que nos meus aniversários e natais, sempre posso escolher um livro. Esse ano, eu queria mesmo era algum livro da Lygia Fagundes Telles, mas como já tinha lido os que tinham na loja do vovô, escolhi a biografia do John Lennon, escrita por Philip Norman. Ainda não terminei de ler todas as mais de 800 páginas do livro, mas achei muito interessante saber mais a respeito da infância do cantor. A ideia que eu tinha até então, por ter visto muitos documentários sobre o Beatle, era a de que ele não for a uma criança muito querida pelos familiares. Errado. Pai, mãe e a tia de John brigaram para poder criar o menino.

Pra começar, o pai de John, Alf, trabalhava como uma espécie de garçom em navios, e consequentemente, ficava muito tempo sem ver o filho. Nesse meio tempo, a mãe de John, Julia, não perdia tempo. Distraía-se com amantes, mas mesmo assim, cuidava bem do filho. No entanto, quando John tinha quatro anos, Alf e Julia decidiram se separar. Foi então que Alf resolveu fugir com o próprio filho, para garantir a guarda da criança. A fuga não durou muito tempo, já que Julia os encontrou e exigiu levar o menino embora. Alf então, deixou a escolha com o menino de quatro anos: preferia ir embora com a mãe ou viver com o pai? Atordoado, o pequeno corria de um lado para outro. Queria os dois. Por fim, decidiu ir com a mãe, aos prantos. 

Não deu nem tempo de John se habituar a viver na casa da mãe sem a esperança de que o pai voltasse. Mimi, a tia de John, era bem mais conservadora que Julia, e achava que deveria criar o menino, pois tinha uma rotina quase militar em sua casa, em contraste com o estilo de vida liberal da irmã. Não era casada, mas ja tinha criado todas as três irmãs menores, então, sobrava experiência com crianças. Julia, enfim, concordou em deixar que seu filho mais velho fosse criado pela irmã. E por isso, por ter sido deixado aos cuidados da tia ainda antes de completar cinco anos, John sempre achou que não foi muito amado pela mãe. Certo dia, perguntou à tia Mimi se ele não poderia chamá-la de mamãe. Ela disse que não. Quando ele questionou o motivo, ela respondeu com ar de naturalidade: “Ora, porque só se pode ter uma mamãe, não é mesmo?”


Anos mais tarde, assim que o sucesso de Elvis chegou à Liverpool, John foi completamente seduzido pelo rock. Só falava sobre Elvis. A tia Mimi odiava rock, e não gostava da nova obsessão do sobrinho. Porém, foi ela que comprou a primeira guitarra do sobrinho, depois de muita insistência. 

Um fato curioso e bastante assustador sobre a biografia de John, é que ele adorava desenhar pessoas com deficiências diversas. Até imitava pessoas mutiladas para os amigos, como forma de entretê-los. Ele tinha asco em relação a qualquer tipo de deficiência e não escondia isso quando adolescente. 

Outro trecho que rendeu muita polêmica foi uma tarde em que Joh foi visitar a mãe e os dois tiraram uma soneca lado a lado. Sem querer, ele encostou no seio dela. Em entrevistas posteriores, o cantor revelou que naquele momento, sentiu desejo pela mãe e que se perguntou a vida inteira se ela teria permitido algo mais ousado se ele tivesse tentado. 

Embora Yoko Ono tenha colaborado com a biografia, após a publicação ela afirmou que não gostou do resultado final, e que Philip Norman foi cruel com John Lennon. Cruel ou não, é uma leitura interessante, e a narrativa do autor, embora bastante linear, permite que seja criada a atmosfera daquela época.

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